Especialistas debatem o desenvolvimento da base no futebol feminino

Encontro faz parte do Summit Rio-SP; iniciativa foi promovida em parceria entre a FPF e FERJ

(CRÉDITO: DIVULGAÇÃO)

Publicado em 03 de junho de 2020, às 19h00

 

Nessa quarta-feira (3), foi realizada a continuação do Summit Rio-SP. A iniciativa que visa abordar o desenvolvimento do futebol feminino foi gerada em uma ação conjunta entre a Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ). O segundo painel, mediado pela professora da FCA Unicamp, Larissa Galatti, contou com as presenças de Thaissan Passos, treinadora da equipe feminina do Fluminense-RJ, Rodrigo Coelho, supervisor do Centro Olímpico, e Roberta Bezerra, coordenadora metodológica da Ferroviária.

Abordando diversos assuntos focados no desenvolvimento de atletas do futebol feminino desde a base, o encontro gerou novos pensamentos de como se deve lidar com a formação de jovens jogadoras não só como profissionais, mas também como pessoas.

Crescimento da modalidade
O futebol feminino e o interesse de jovens garotas só crescem no país, o que favorece ainda mais o desenvolvimento profissional das bases dos clubes, impulsionada pelo forte incentivo de diversas instituições que promovem o esporte. Rodrigo Coelho, supervisor do Centro Olímpico, vê um ascendente na vontade das meninas de jogar futebol. “Conseguimos construir um projeto interessante, expandimos bastante. Vemos um crescimento da modalidade como um todo, com cada vez mais garotas nas peneiras. As últimas tiveram em torno de 120 meninas munidas de um nível técnico maior”, disse.

Essa evolução também foi vista por Roberta Bezerra. “Fiquei impressionada com o nível técnico da base do futebol feminino, com mais de 200 garotas na peneira. A busca da modalidade está vindo cada vez mais cedo, e que o presente das meninas não seja mais uma boneca, mas uma bola, seja ela de futebol ou não”, comentou.

Desenvolvimento na base
Uma das principais questões abordadas quando se fala de formação de atletas é a criação de um currículo de formação, que conta com diversas diretrizes que devem ser seguidas pelas jogadoras na base, o que ainda não existe em muitos clubes. Roberta Bezerra, coordenadora da Ferroviária, acredita que a criação do documento pode ter grandes benefícios no desenvolvimento profissional, e ressalta que o clube tem o projeto de produzi-lo.

“Um dos aspectos que me pediram para desenvolver no clube é esse currículo de formação, e eu estou contando com a colaboração de diversos nomes da Ferroviária para isso. É um documento orientador nesse momento de formação dos atletas. Nele, escrevemos orientações de sempre ensinar, respeitar as individualidades e o ritmo de cada garota, também buscando estimular a habilidade e o repertório para resolver problemas.”, disse Roberta.

Thaissan Passos complementou dando ênfase à importância de criar um currículo de formação, principalmente pela função educadora do documento. “Tudo parte do processo da educação, todo clube precisa ter um documento norteador. Nós do futebol feminino estamos saindo na frente no desenvolvimento da base, por estarmos controlando esse pulo imediato da atleta para o time adulto e assim, temos mais tempo para desenvolve-las esportivamente e emocionalmente. Por exemplo, a Marta jogou uma Olimpíada com 16 anos, mas aconteceu uma maturidade para resistir às pressões? Esse pulo nem sempre é vantajoso”, analisou.

Para Rodrigo Coelho, o futebol serve como uma ferramenta educacional, frisando que os treinadores também devem formar atletas que consigam lidar com todos os aspectos do esporte. “Temos que entender o esporte como uma ferramenta educacional. Estamos falando também de uma formação intelectual. Quando vamos formar uma atleta, elas têm que entender tudo que engloba o esporte – não apenas tratar bem a bola. Há a necessidade de uma formação integrada, esportivamente e psicologicamente.

Competições e metodologias de treino
A competividade na base é um dos fatores mais importantes no desenvolvimento esportivo e mental das jovens atletas, por isso os treinadores tem o hábito de fazer as jogadoras disputarem competições logo no início da formação. Rodrigo Coelho inclusive coloca as meninas para disputar torneios contra equipes com faixa etária superior, buscando maiores desafios. “Desde muito cedo, criamos o hábito das garotas disputarem competições. Temos que ter claro que as crianças aprendem mais na derrota que na vitória, principalmente por analisar quais foram os erros e o que se deve fazer para melhorar. A derrota faz parte do processo formativo, não adianta disputar competições que ganham de 4 ou 5. Precisamos criar desafios mais difíceis”, disse.

Roberta adicionou que as competições também auxiliam na formação como pessoa. “A competição faz parte do desenvolvimento, além de ser encarado como uma prova. Mais do que isso, é uma ótima oportunidade de educação, além de trazer uma carga emocional que coloca em prova valores educacionais, como saber perder e o respeito pelo adversário”, completou.

Por fim, Thaissan ressalta que os torneios de base são feitos para que as atletas se ambientem com as competições. A riqueza do treinamento precisa chegar na atmosfera do jogo, para não ser um ambiente desconhecido. Precisamos dar confiança para ela ter liderança, individualidade e saber tomar decisões mais responsáveis que podem beneficiar o time no campo de jogo”, concluiu.

Além do tópico voltado ao desenvolvimento da base na modalidade, o Summit contará com diversas palestras abordando tópicos do futebol feminino (confira aqui a programação completa).

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Fonte:

http://www.futebolpaulista.com.br/Noticias/Detalhe.aspx?Noticia=15274